domingo, 17 de junho de 2012

Crer para ver ou para continuar cego?


                          
O poder das crenças é conhecido e o seu valor é inestimável, ouso mesmo dizer que sem crenças o nosso mundo não poderia funcionar do modo como o conhecemos. Nunca os primeiros hominídeos teriam saído da selva para se aventurarem na savana, nunca os nossos antepassados, já homo sapiens tornados, teriam percorrido grandes distâncias, enfrentado enormes e eternas montanhas cobertas de brancos mantos, se não acreditassem existir algo para lá do que a sua vista poderia alcançar. Todas as grades conquistas humanas tiveram necessariamente de ser precedidas por uma grande dose de fé e um acreditar para além do concreto e palpável. Não foram os nossos navegadores exemplos dessa fé inabalável na existência de outras terras, outros povos? Alguém consegue imaginar partirem em frágeis caravelas enfrentando um mar tão sedutor quanto mortífero se não acreditassem num novo e revelador mundo para além do horizonte?   
A confusão em torno do que é a fé e para que serve está, a meu ver, no facto de se pensar que ou se é uma pessoa de fé, ou não, ou se acredita, ou se é como São Tomé – ver para crer – ou se acredita sempre ou nunca, ou somos céticos ou crédulos… Mas, há outras hipóteses que não o simples tudo ou nada. Há, acima de tudo, uma atitude em torno deste valor tão humano: serve-nos a fé como ponto de partida ou de chegada?
Muitas vezes tenho apreciado confrontos entre criacionistas e cientistas das mais variadas disciplinas e, frequentemente, quando os cientistas falam em fé e na sua perversão, logo saltam das suas cadeiras vitoriosos e convencidos os criacionistas dizendo que sem fé também a ciência não seria possível; pois eu acho que têm razão, mas será esta fé igual quanto ao tipo, ao grau e à utilidade que uns e outros lhe dão? Aqui é que as diferenças se fazem notar de forma flagrante: é que para os cientistas, a fé, a crença em algo que ainda não se pode provar é um ponto de partida, enquanto que para os criacionistas mais radicais é um ponto de chegada, com ponto final e tudo; uns utilizam-na para chegar mais longe, outros para ficarem no mesmo lugar; uns servem-se dela para pesquisarem e evoluírem, outros para perpetuarem crendices e superstições indefensáveis e incompatíveis com as descobertas do mundo moderno.
Umas dessas crenças, totalmente indefensáveis no mundo moderno é a existência de uma alma imortal, ou de uma ida para o paraíso depois da morte – já agora o que é a alma? E o paraíso? Muitos dos que acreditam nunca pensaram no que isso é, aliás, é bem típico de muitos crentes o facto de não pensarem nessas coisas, os não crentes pensam muito mais nelas…
A alma imortal, tem um passado muito antigo – o ser humano, que se saiba é o único animal que tem consciência da sua própria morte e, por isso , sempre tentou ultrapassar os seus medos com recurso a estratégias mais ou menos complicadas. Não recuando ao seu passado mais longínquo fico-me por Descartes que talvez seja o filósofo que mais influenciou a visão atual da existência duma alma imortal. Não me alongando no tema, Descartes acreditava haver em cada um dos seres humanos e também dos animais uma corpo físico que funciona como uma máquina, a res- extensa e, contrariamente a todos os outros seres existentes, nós, seres únicos e irrepetíveis, tínhamos também uma alma imortal, a res- cogitans, sede da nossa essência , daquilo que é único em cada um de nós; ora, esta visão está hoje completamente ultrapassada pelas novas conquistas da neurociência.
Pelo menos desde o século xıx com os trabalhos de Paul de Broca, em que foram identificadas as zonas cerebrais responsáveis pela fala articulada, a famosa área de Broca, que se acredita que todas as capacidades humanas estão dependentes da sanidade mental das áreas correspondentes no cérebro que ,como se sabe, é composto de células vivas, os neurónios, que formam em seguida circuitos e posteriormente  sistemas. Não há personalidade ou identidade separada do bom funcionamento dos sistemas cerebrais. Cientistas como António Damásio, por exemplo, constatam isso a cada dia, quando seguem doentes que em consequência de um tumor no cérebro, ou um AVC, ou ainda com a terrível doença de Alzheimer se tornam seres estranhos para a sua própria família, pessoas que, sendo antes da doença se manifestar afáveis, responsáveis, carinhosas, ponderadas, se tornam depois rudes, irresponsáveis, intratáveis e incapazes de tomar decisões ponderadas. Não há pensamento, emoção, consciência sem o incansável funcionamento das nossas células cerebrais cuja sintonia e interação com o nosso corpo faz de nós aquilo que somos. O nosso corpo, tantas vezes negligenciado na compreensão daquilo que somos, é também essencial, pois é ele que envia os sinais que servem de base de trabalho para o cérebro – a temperatura , o nível de açúcar no sangue, a regulação hídrica – são disso exemplo.
Os crentes de todos os quadrantes que, apesar das evidências, insistem que a alma imortal nada tem a ver com questões como a personalidade, identidade, emoções, aspirações, desejos, memória, etc. façam esta simples pergunta a si mesmos: não se incomodariam se, depois da morte os levar para a inconsciência eterna, continuassem a existir sem os vossos corpos, emoções, pensamentos, memórias, perceções?  Bom, se isso não os incomoda, a mim também não, aceito plenamente essa “alma imortal” totalmente independente do corpo e cérebro; isso nada mais é do que a continuidade eterna dos átomos individuais que nos compõem e que embora se desagregando continuam a existir, que se saiba, por toda a eternidade.


quarta-feira, 6 de junho de 2012


As certezas doTarot

Para que servem estudos continuados exaustivos  durante anos e anos a fio em várias áreas do saber, nomeadamente, em psicologia, várias especialidades médicas, sismologia, economia, etc.  ad infinitum  se, com um simples jogo de cartas tudo o que leva anos a ser estudado com rigor científico, análises matemáticas complexas e muitas horas de trabalho em laboratório pode ser facilmente previsto e  diagnosticado, ? Os humanos são mesmo complicados…
Desde o séc xv, pelo menos, que se conhecem os mistérios que envolvem com seus mantos negros o futuro de cada um e  da humanidade  através de médiuns que leem o tarot, para quê a necessidade de ciência? Aliás, a ciência é completamente desnecessária. Esta sabedoria antiquíssima afirma que é possível prever o futuro e sendo assim é porque o destino está escrito nas estrelas e nós nada mais somos do que simples marionetas nas engrenagens desta máquina gigantesca que é o universo. Acredito que muitas pessoas que se guiam por este tipo de previsões acreditem igualmente que são seres com livre arbítrio que dominam de alguma forma o ambiente em que se encontram contrariando assim a possibilidade de uma previsão fidedigna ser possível. Estas pessoas consideram também uteis as prisões em que os condenados nada fizeram de mal senão seguir o seu destino – não é possível contradizê-lo porque está escrito nas estrelas, lembram-se? – estas pessoa criticam também os seus semelhantes o que à luz das suas crenças não faz sentido algum e, pior do que tudo, acham que vale a pena lutar por alguma coisa quando afinal nós só viemos a este mundo para cumprir com os desígnios divinos.
Se é verdade que os signos evidenciam predisposições para um certo tipo de personalidade para quê estudos a nível de áreas do saber como psicologia ou psiquiatria? Para quê o desenvolvimento do conhecimento em meteorologia? Bom, talvez a meteorologia não abarque o tipo de conhecimento evidenciado por videntes e afins pois estes reportam-se aos humanos mas, caramba, é sabido que o clima afeta e muito a vida de todos os dias. Lanço um desafio aos médiuns deste país: durante um mês permitam-se estar sob “custódia” dos meios de comunicação e vão adivinhando o tempo que fará dia a dia e se acertarem converto-me…
Continuando, para que serve tecnologia de ponta para detetar sismos? Estudos aprofundados sobre placas tectónicas e parvoíces afins? Contratem-se os novos quadros saídos de cursos gratuitos de tarot da internet e ponham-nos a trabalhar na previsão dos sismos. Aproveitem a boleia e eles que prevejam se a Grécia vai sair do euro, se nós nos aguentamos sem pedir uma ajuda extra à troika, se o Miguel Relvas tem culpas no cartório no caso das secretas e como um extra, quem ganhará o euro 2012…
Por que motivo têm então, este tipo de práticas, validade  nos tempos que correm? Ai, os nossos pobres iluministas que se revolveriam nas suas respetivas campas se tivessem a capacidade de ver o que nós fizemos à nossa racionalidade – que afinal é das únicas coisas que nos separam dos nossos primos mais chegados, os chimpanzés – objeto idolatrado nos perdidos tempos do seculo xvııı. O que acontece é que o género de respostas dadas por este tipo de exploradores da ingenuidade alheia tem altas probabilidades de se revelar corretas independentemente das suas reais capacidades de predição, senão vejamos: eles utilizam a estratégia do tudo ou nada, ou seja ou é sim ou não e logo aqui se pode constatar que existe a priori 50% de hipóteses de acertar; ou a relação acaba ou não, ou se arranja emprego ou não, ou se tem uma doença grave ou não, etc. A acrescer a esta situação há ainda o fenómeno da profecia auto cumprida que consiste em tornar, pela força da crença, algo que era pouco plausível de acontecer, à partida, num acontecimento efetivo. Se eu acreditar que um relacionamento vai acabar nada faço para o melhorar e as hipóteses de ele acabar devido ao meu descuido aumentam exponencialmente, se eu acredito estar condenado com uma doença grave nada faço para melhorar as minhas condições de saúde o que se revela propício à validação da adivinhação de que fui vitima, e por aí vai…
 Não nos deixemos, pois, levar por estudos complicados e inconclusivos, agora temos certezas: liguem para a Maya que ela diz-vos se se vão casar, divorciar, sofrer de algum mal maior que simples dor de costas, se são enganados, se estão certos ou errados, se encontram emprego e quando… Acabaram-se consultas dispendiosas nos médicos com os subsequentes exames de diagnóstico, terapeutas matrimoniais, psicólogos, advogados e profissionais afins, agora temos «uma resposta para quase tudo…».


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012


                                         Implicâncias

Conhece o poder de um tubo de pasta de dentes aberta? De uma tampa de sanita levantada? De portas e gavetas abertas? De migalhas esquecidas, cadeiras desalinhadas, roupa espalhada? Acha que são mesquinhices? Mas não são. Grande parte dos relacionamentos acaba por insignificâncias destas e tudo porque nem nos apercebemos que ao longo do tempo nos tornámos uns chatos que já só vê os defeitos do outro. O que antes era engraçado agora torna-se chato, o que era estimulante, aborrecido, a presença do outro torna-se, ou indesejável, ou indiferente. Não deixe que isso aconteça consigo.
A primeira coisa a fazer é assumir a sua responsabilidade, sim a sua; é quanto basta para mudar as coisas para melhor. Nos próximos dias fique atento(a) às suas implicâncias mais comuns, depois escolha uma coisa que costuma exigir ao outro , por exemplo que baixe a tampa da sanita -  esta costuma ser uma exigência daquelas mulheres que viveriam melhor com outras mulheres, qual a posição ideal da tampa da sanita?  Haverá uma posição ideal? – e assuma que durante 7 dias não vai chamar a atenção dele, nem que se arrepele toda. Em vez disso, faz o contrário ; uma gentileza extra. Consegue imaginar o que um gesto tão simples, vá, dois, um positivo e um negativo, conseguem fazer pela sua relação? Um gesto simples, mas não fácil, só que, só esta semana, você prometeu e vai cumprir e sempre que o impulso para gritar: “ Fecha o raio da tampa da sanita!”, aparecer, você vai repetir baixinho: “cala-me essa matraca!”.
Para os homens: que tal ser mais condescendente com a falta de humor dela? Afinal antes de assumir essa relação já conhecia um pouco o ciclo menstrual feminino, ou não?  O interessante é que há homens que não fazem a mínima ideia do que isso seja e ficam frustrados pois todas as suas tentativas para porem as donas do seu coração de bom humor falham. Mas não lhes passa pela cabeça comprar um carro sem conhecer bem todos os detalhes: a cilindrada, quantos quilómetros já tem – isto se for um carro usado -, os extras, etc. Então porque continua a ser uma surpresa para muitos a rabugice mensal feminina?!  Vá lá, por 7 dias – que tem de coincidir com o ciclo menstrual da sua companheira – seja muito paciente e carinhoso com ela, mesmo que ela pareça indiferente às suas tentativas e continue a queixar-se da borbulha horrível  - que você nem vê – que tem na testa, da roupa que não lhe fica nada bem – mas se ainda há dias a vestiu e sentia-se maravilhosa?! – enfim, você prometeu e vai cumprir vai ouvir pacientemente todas as queixas dela, dar-lhe o seu ombro amigo e… e mais nada, é só isso que ela quer, um ombro amigo.
É difícil no dia a dia ficar atento a estas aparentes mesquinhices, no entanto, vale bem a pena se pensarmos que são elas que a longo prazo acabam com muitos relacionamentos. Agora que já sabe o poder da pasta de dentes, da tampa da sanita, do tamanho de uma borbulha em certos dias do mês, vai deixar que acabem com o seu relacionamento, ou vai fazer um esforço? O(a) seu (sua) companheiro(a) merece – o, ou não?
Depois é só alargar a experiência a outras situações e ver melhorar a convivência no dia a dia.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012


Ressignifique

A importância que damos à necessidade de mudar as características do mundo que nos rodeia é, frequentemente, a causa de muitas frustrações que nos arruínam a vida. A verdade é que podemos mudar de casa, para uma maior, mudar de carro, de família; podemos até ficar completamente sozinhos que haverá sempre algo para nos estragar o dia, nem que seja uma mosca que teima em zumbir aos nossos ouvidos quando queremos paz.
Pelos vistos não tem jeito, a única forma que temos de conviver melhor com as frustrações do dia a dia é mudarmo-nos a nós mesmos como aconselha a filosofia budista. Longe mim aconselhar uma postura de conformismo, não, o que pretendo dizer com isto é que muitas coisas que julgamos que nos estragam a vida só estão à espera de uma oportunidade para nos revelarem o seu valor, basta mudarmos um pouco de perspetiva.
Em PNL chama-se ressignificar, ou seja, dar um outro significado às coisas.  Diz-se frequentemente: « Se a vida lhe dá um limão faça uma limonada». Esta atitude perante a vida é de uma grande sabedoria  pois permite que em todas as circunstâncias se  aprenda  algo novo e nos torne mais capazes no futuro.
Aquilo que nós pensamos sobre o mundo que nos rodeia, os outros, as circunstâncias influencia mais a nossa qualidade de vida do que as coisas em si mesmas; senão como explicar que duas pessoas diferentes na mesma situação sintam e ajam de forma diferente?  Claro que tem a ver com o que dizem a si próprias.
Nós temos o poder de escolher o significado que damos às coisas, trata-se de dar mais atenção ao que a situação tem de bom. E não importa qual a situação há sempre um ensinamento a tirar dela.
Agora o que é  preciso é praticar. Escolha uma situação menos problemática e que envolva uma pequena dose de irritabilidade ou ansiedade e vá aos poucos aumentando a sua tolerância a ela, escolha frases simples do género : “ para a semana que vem já nem me vou lembrar deste incidente, então é melhor esquecer já!” ou “ Daqui a um mês vou-me rir disto então é melhor rir-me já!”.
A quantidade de situações passíveis de nos arruinar a vida é infindável : um copo que verte; o almoço que se atrasa; o(a) companheiro(a) que não está nos seus dias; o gato que mia; o cão que ladra; a vizinha que faz barulho; o patrão que grita; bom, o melhor é começar a ressignificar! 

domingo, 5 de fevereiro de 2012


Desenvolvimento pessoal

Pode-se dizer que a partir da adolescência a personalidade já está formada, no entanto, ela é fruto da nossa herança genética, da família em que fomos educados, das pessoas com que nos cruzámos e que, de uma maneira ou de outra, foram determinantes para o nosso desenvolvimento, da cultura em que nos inserimos; ou seja, do nosso meio. Claro que não somos simples recetáculos da informação que nos chega através das nossas portadas sensoriais somos, como bem nos lembra Jean Piaget, seres activos no nosso desenvolvimento.
Quando adultos, muitos de nós abdicam dessa tarefa e o desenvolvimento adquirido por imposição do meio como crenças, valores, objetivos  não se questionam e é aí que se tornam definitivos mesmo que sejam ineficazes, falsos inadequados. Eles tornam-se parte de nós, confundimo-nos com eles e muitas vezes nem nos apercebemos que não fomos assim tão ativos nas escolhas da nossa vida; que somos quem somos quase por acaso. Quando nos consciencializamos desse facto, muitos de nós desenvolvem uma vontade irreprimível de mudança, uma necessidade de se construírem, agora sim, por vontade própria, um renascer… é para esses, para os que se querem construir por si próprios que escrevo hoje.
Depois da consciencialização que é talvez o passo mais difícil, vem a desconstrução, o questionamento dos valores e crenças aprendidos, o desenvolvimento do espírito crítico, o saber onde se está e para onde se quer ir apesar de haver quem se oponha; enfim, a construção de um novo eu agora completamente fruto da nossa vontade. Não importa a idade, quando tomamos consciência que muitas das nossas limitações são aprendidas, que não têm o mínimo fundamento, podemos ganhar as asas que nos cortaram e ir em busca dos nossos sonhos, do que nos faz verdadeiramente felizes e preenchidos. O nosso verdadeiro eu pega finalmente o leme e dá um rumo ao barco que até ao momento apenas se deixava levar ao sabor do vento.
Acontece uma revolução nem sempre bem aceite – pelo menos no inicio -  pelos que nos rodeiam, mas nós somos finalmente livres, de preconceitos, de imposições, de maneiras de ser e de estar que tantas vezes nos oprimem; agora mais leves, caminhamos pela vida que vamos construindo e que é finalmente a nossa e não a dos outros. Que sensação de viver! Que liberdade! Que felicidade sermos finalmente quem queremos ser.
É esta a essência do desenvolvimento pessoal; fortalecermos o nosso eu para que comande a nossa vida. Descobrimos os nossos pontos fortes, o que realmente tem valor para nós, o que queremos manter da nossa “velha” vida e o que não nos serve mais, o que podemos fazer embora nos tenham dito que não seríamos capazes. Adquirirmos uma nova maneira de pensar, mais eficaz, vivemos agora intensamente e muitos dos que inicialmente, por vezes também por medo, nos desincentivaram são agora os primeiros a reconhecer o nosso valor e a dar o seu apoio ao novo ser que, triunfante, emerge.  
Estes novos hábitos e atitudes vão finalmente fazer com que nos cruzemos com as pessoas certas e já não mais por acaso, mas por necessidade pois temos uma intenção que nos impele para o que queremos e nada nem ninguém nos impedirá.
E você? Já sabe quem é? Quem quer ser? O que realmente quer fazer da sua vida? Desamarre  os nós que o prendem a uma vida sem finalidade e viva plenamente a sua vida porque tudo indica que só temos esta…

domingo, 29 de janeiro de 2012


Círculo virtuoso

William James teve uma intuição que, passado mais de um século, ainda não tem grandes efeitos práticos embora tenha sido já corroborada pela neurociência. Os sentimentos, isto é, as sensações subjetivas das emoções são um produto do reconhecimento do cérebro cortical das demais reações fisiológicas e comportamentais desencadeadas no corpo por determinado evento ambiental (o estímulo emocional). 
De modo resumido, esta ideia inverte a perspectiva do senso comum segundo a qual a reação a um estímulo emocional (aumento do batimento cardíaco ou a expressão de um sorriso) ocorre após a pessoa tomar consciência da emoção que está sentindo. Ao contrário, para James, primeiro reagimos (reações fisiológicas e comportamentais) ao estímulo emocional; o sentimento da emoção se dá porque tomamos consciência dessas respostas emocionais. Assim, a consciência de uma emoção ocorre após essas reações emocionais terem ocorrido. Por outras palavras, nós não sorrimos porque estamos alegres, mas estamos alegres porque sorrimos!
Em termos práticos isto significa que podemos mudar o nosso estado de espírito usando o nosso comportamento: agimos de acordo com a emoção que queremos sentir que o sentimento aparece. Isto é de um poder incrível! significa que para estarmos alegres basta rirmos – mesmo se, de inicio, não tivermos vontade – para estarmos confiantes, adotarmos a postura correspondente e assim por diante…
Agora já não há mais desculpas: façam o favor de serem felizes nem que tenham de cantar, sorrir, saltar, dançar sem que de início vos apeteça.  

domingo, 22 de janeiro de 2012


                                 O Poder está em nós!
Uma das mais úteis aprendizagens é, sem dúvida, a arte de fabricar emoções. Ninguém nos ensinou a fazê-lo, mas temos esse poder.
De início assusta pois podemos pensar que, a partir do momento em que tomamos consciência disso, já nada será como dantes; já não nos podemos desculpar com A,B ou C  por nos estarmos a sentir irritados, desiludidos, tristes ou enraivecidos. Não quero de modo algum dizer que não devemos sentir estas emoções, até um certo nível elas são importantes, só se tornam problemáticas quando nos impedem de seguirmos com a nossa vida para a frente em direção aos nossos objetivos. Como disse, é verdade que já não nos podemos desculpar com ninguém porque em último caso somos nós que decidimos como nos sentir mas, longe de ser intimidatório, é libertador.
Já se imaginou no total controle das suas emoções? Já imaginou ter a motivação necessária para aquelas decisões que tem, reiteradamente, adiado? Já imaginou ter o poder de deixar passar uma ofensa e não estar nem aí?  Quer sentir mais amor, paz de espírito, entusiasmo, alegria? As emoções têm  uma estrutura, não são blocos monolíticos e, se é verdade que não podemos entrar dentro do nosso cérebro, rodar um botão e zás, sentir uma emoção diferente, podemos mexer na estrutura. Um exercício muito útil é repararmos em três aspetos fundamentais que suportam uma emoção.
Em primeiro lugar temos a fisiologia da emoção muito ligada à postura corporal, respiração, movimento, fala e tom de voz.  Imaginemos a emoção como um programa em que, por exemplo, para a emoção tristeza corresponde um cair de ombros, cabeça baixa, respiração mais lenta, tom de voz baixo e arrastado, movimento corporal lento. Por vezes, basta levantar a cabeça, ombros para trás, obrigar-se a um sorriso, andar mais rápido para se sentir imediatamente melhor; o segredo é este! Tente lá ficar triste enquanto dá uma corrida, ou enquanto endireita as costas e levanta a cabeça! Impossível, o padrão da emoção tristeza foi quebrado.
Muito importante também é o foco, aquilo em que nos focamos induz emoções, podemos estar num lugar tranquilo, a desfrutar do nosso dia de folga, no entanto, o nosso foco pode estar na discussão que tivemos de manhã com o nosso (a) companheiro(a), ou podemos estar preocupados com o trabalho (chato) que não chegámos a acabar antes do fim-de-semana , tanto num caso como no outro o nosso foco induz emoções que não correspondem ao que queremos. Podemos ainda estar preocupados com os quilinhos a mais e, se calhar aquela pessoa que entrou e olhou para nós – embora nem nos tenha visto – reparou, enfim, podemos estar focados em milhentas coisas, o importante é tomarmos consciência disso, o que requer alguma prática, e sempre que o foco não seja adequado para a emoção que queremos sentir, focarmo-nos naquilo que é importante e nos põe num estado de maiores recursos.
Por último, mas não menos importante,temos a linguagem. As palavras têm energia, tanto positiva como negativa e tornam-se na nossa experiência. É paradigmático o modo como os portugueses respondem à pergunta: “Como te sentes hoje?” invariavelmente respondem: “ vai-se andando”, claro que essa expressão se confunde com a própria experiência e dificilmente se sentem ótimos, espetaculares, completamente felizes. Muito cuidado pois com as palavras, elas são uma componente importante das emoções, induzem-nas. Já reparou como os brasileiros – tidos como dos mais otimistas do mundo respondem à mesma pergunta?  “ Beleza!”, “tudo legal”, etc.
Tendo em vista a tríade que compõe as emoções: fisiologia, foco e linguagem, condicione-se, porque no fundo é disso que se trata, para sentir o que deseja. Experimente o seguinte exercício:
1º )  Defina a ou as emoções que quer sentir mais frequentemente . As que lhe servem o seu objetivo atual como, amor, paz, alegria, entusiasmo, vitória, etc.
2º) Escolha uma destas emoções, por exemplo, entusiasmo e repare na sua postura corporal, respiração, repare também no seu foco, qual o teor das suas palavras? O que diz quando sente entusiasmo?
Quando tiver bem presente o que faz quando sente entusiasmo, ou outra emoção que queira sentir, acabou de obter a estrutura ou padrão e pode manipulá-lo de forma a servi-lo melhor. A partir de agora e com a prática correta conseguirá gerir as emoções que melhor lhe servem em cada momento. Agarre esse poder!



Milagres acontecem, sim!


O fantástico dos milagres é que um dia, deixam de o ser… só o são até ao dia em que as causas que os geraram passam a ser conhecidas. Muitas pessoas temem esse conhecimento, mas as causas “verdadeiras” dos fenómenos costumam ser bem mais interessantes do que assumir que se trata de um feito de uma qualquer entidade imaginária.
O efeito placebo é um desses “milagres” que todos os dias acontecem, no entanto, muitos médicos ainda hoje em dia, devido ao ceticismo inerente à sua profissão, ou por pura teimosia, optam por não lhe dar o devido valor e subvalorizam o poder que tem para melhorar e até curar alguns doentes. A conhecida frase: “ a fé cura” é verdadeira embora dita quase sempre num contexto religioso que não vem agora ao caso.
Um placebo é uma substância inerte, cirurgia ou terapia "de mentira", usada como controle numa experiência, ou dada a um paciente pelo seu possível ou provável efeito benéfico. Como é que uma substância inerte, uma pílula de açúcar, ou falsa cirurgia ou terapia fazem efeito, não está completamente esclarecido. 
Muitos acreditam que o efeito placebo seja psicológico, devido a um efeito real causado pela crença ou por uma ilusão subjetiva. Se eu acreditar que uma pílula ajuda, ela vai ajudar, ou a minha condição física não muda, mas eu sinto que ela mudou. Por exemplo, Irving Kirsch, um psicólogo da Universidade de Connecticut, acredita que a eficácia do Prozac e drogas similares pode ser atribuída quase que inteiramente ao efeito placebo. Sabe-se, também,que as experiências sensoriais e pensamentos podem afetar a neuroquímica, e que o sistema neuroquímico do corpo afeta e é afetado por outros sistemas bioquímicos, inclusive o hormonal e o imunológico. 
Há até uma anedota dos meios psiquiátricos que corrobora o poder que as crenças têm. Essa anedota conta que um paciente acreditando ser um cadáver, levado à força pela sua mulher para ser tratado estava já a levar o psiquiatra ao desespero pela sua incapacidade de o fazer mudar de perspetiva, até que inspirado lhe diz: “ diga-me caro senhor M., os cadáveres sangram? Ao que este, até um pouco ofendido com a pergunta óbvia lhe responde: “ Claro que não, senhor doutor!” O médico espeta-o então com uma agulha e exultante exclama: “ Vê? O senhor não é um cadáver! O senhor sangrou!” Um pouco aturdido responde então o paciente: “ Oh! Querem lá ver que afinal os cadáveres sangram!” 
Enquanto os mecanismos por trás do efeito placebo não se encontram totalmente descodificados podemos, mesmo assim, aproveitar os benefícios que esse poderoso efeito tem, como por exemplo, acarinhar, cuidar, dar atenção a alguém que está doente pois este facto, por si só, liberta endorfinas que são os analgésicos naturais do corpo. Daí se depreende que muito do poder que naturalmente é conferido a alguns prestadores de cuidados tem a sua base nos mecanismos naturais do próprio corpo; o caminho está aberto para toda a espécie de charlatanice, milagres atribuídos a santos deuses ou curandeiros, mas também para que quem presta cuidados de saúde como médicos, enfermeiros, psicólogos, etc., usem este poder que tem também o seu oposto, a ser evitado, o efeito nocebo. 
Quando um médico diz a um doente que tem pouco tempo de vida, que tem uma doença crónica, quando lhe fala demoradamente em possíveis efeitos secundários de um tratamento ou quando simplesmente não dá atenção, não demonstra empatia, não cuida, está a utilizar esse poderoso efeito nocebo que vai ter os efeitos contrários ao efeito placebo.
Milagres acontecem a toda a hora no nosso sistema integrado “corpo-mente” e conhecê-los só nos pode libertar e espantar, nunca limitar!

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